terça-feira, 22 de setembro de 2015

Inflação de equilíbrio nos papéis indexados dispara


Como saber se um papel pós fixado indexado à inflação é melhor que um papel com juros pré fixados do mesmo prazo e do mesmo emissor?

Os papéis pós fixados rendem uma taxa de real de juros, ou seja, uma taxa de rendimento acima da inflação futura. Tal taxa real precisa ser composta com a inflação que irá ocorrer ao longo da vida do papel para que possamos saber o seu rendimento nominal final. Só assim é possível comparar um papel pós fixado a um papel prefixado. Ou seja, só saberemos com certeza a resposta da pergunta que coloquei acima após o vencimento dos papéis analisados.

A taxa de inflação de equilíbrio (Breakeven Inflation) é aquela taxa que, se aplicada a um papel pós fixado, produzirá um rendimento nominal equivalente ao de um título pré fixado de mesmo prazo. Ela é determinada comparando-se, no mesmo instante, o rendimento nominal de um papel pré fixado com o rendimento real de um papel pós fixado do mesmo prazo e emissor.

SE a inflação real que vier a acontecer for maior que a inflação de equilíbrio prevalecente na data de compra do papel, o investidor que comprou um papel pós fixado terá um rendimento superior àquele que investiu num papel pré fixado, e vice versa.

Tal taxa de equilíbrio reflete instantaneamente:

  • um pouco da expectativa quanto à inflação futura;
  • um pouco do valor do prêmio que o investidor está pagando para se proteger da inflação futura ao comprar um papel pós fixado ao invés de um papel pré fixado do mesmo prazo e emissor.
NTN-B's são títulos pós fixados emitidos pelo Tesouro e indexados à inflação. NTN-F's são títulos emitidos pelo Tesouro, porém com juros pré fixados. Com base nos preços de mercado destes papéis (aqueles praticados no Tesouro Direto, por exemplo), é possível se calcular diariamente tal taxa de equilíbrio para diversos prazos. O gráfico abaixo ( Bloomberg) mostra a evolução da taxa de equilíbrio dos papéis pós fixados de 3 anos, desde 2013:





Vemos que:
  • até 2013 a inflação de equilíbrio implícita nos papéis pós fixados, quando comparados com os pré fixados de 3 anos de prazo, estava ao redor de 5,5% a.a., ou seja, apenas 1% acima do centro da meta de inflação fixada pelo BC ( 4,5% a.a.),  mas abaixo do topo da banda de metas ( 6,5% a.a.);
  • de 2013 até recentemente, tal inflação de equilíbrio ficou ao redor de 6,5% a.a., ou seja, próxima ao topo da meta de  inflação;
  • de agosto para cá tal taxa disparou, batendo mais de 8% a.a.
Conclusão: os mercados estão exigindo prêmios cada vez maiores para oferecer proteção inflacionária de médio prazo aos investidores de renda fixa.  O prêmio, que era de 1% a.a. acima do centro da meta de inflação do BC em 2013, hoje bateu 4% a.a. 

Traduzindo: a crise fiscal e de governabilidade está afetando a estabilidade monetária do R$. Isto coincide com a escalada do dólar, que hoje passou da marca histórica de R$ 4,00.  Isto faz todo sentido, pois inflação elevada e desvalorização cambial andam sempre de braços dados, pois uma realimenta a outra.

A má notícia é que taxas de equilíbrio elevadas reforçam expectativas altistas para a inflação futura por parte dos agentes, o que acaba exigindo a permanência de juros Selic elevados por mais tempo.

Esta crise está começando a ficar com cara de catástrofe..,








2 comentários:

  1. Ricardo, esse cenário: taxa selic a 14,25% a.a. e uma LTN de 01012018 a 16,09%, essa diferença diferença entre as taxas, traz alguma implicação para investidores ou contas do governo?

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  2. sim. encarece custo pra governo rolar divida publica. piora deficit nominal. aumenta divida publica... e pra investidor? depende do apetitie de risco de cada um.

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